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7.2.13

A veia poética

Proximidade Gloriosa

30.12.12

A meditação sobre o Tietê

O Rio Tietê nasce a 22 km do Oceano Atlântico percorre mais de 1.000 km e junta-se a Bacia do Prata... Magnífico!...

"Água do meu Tietê,
Onde me queres levar?
- Rio que entras pela terra
E que me afastas do mar…
É noite. E tudo é noite. Debaixo do
arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rio
Murmura num banzeiro de água
pesada e oleosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda
de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite
tão vasta
O peito do rio, que é como si a
noite fosse água,
Água noturna, noite líquida,
afogando de apreensões
As altas torres do meu coração
exausto. De repente
O óleo das águas recolhe em cheio
luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis,
lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os
dinossauros caxingam
Agora, arranha-céus valentes donde
saltam
Os bichos blau e os punidores
gatos verdes,
Em cênticos, em prazeres, em
trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade… É a
emaranhada forma
Humana corrupta da vida que muge
e aplaude.
E se aclama e se falsifica e se
esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio
escurece de novo,
Está negro. As águas oleosas e
pesadas se aplacam
Num gemido. Flor. Tristeza que
timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu
coração devastado
É um rumor de germes insalubres
pela noite insone e humana.
Meu rio, meu Tietê, onde me
levas?
Sarcástico rio que contradizes o
curso das águas
E te afastas do mar e te adentras
na terra dos homens,
Onde me queres levar?…
Por que me proíbes assim praias e
mar, por que
Me impedes a fama das
tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em
partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da
terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência
turrona paulista
Para as tempestades humanas da
vida, rio meu rio!…
[…]" (Mário de Andrade)

18.5.12

"Tudo na vida são copos d'água..." e poesia


O Mais-que-perfeito (Vinícius)

Ah quem me dera ir-me
Contigo agora
A um horizonte firme
Comum embora

Ah quem me dera amar-te
Sem mais ciumes
De alguém em algum lugar
Que nem presumes

Ah quem me dera ver-te
Sempre ao meu lado
Sem precisar dizer-te
Jamais cuidado

Ah quem me dera ter-te
Como um lugar plantado no chao verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te

16.5.12

Um pouco de 'santo' Drummond


Não Quero Ser o Último a Comer-Te (Drummond)

Não quero ser o último a comer-te.
Se em tempo não ousei, agora é tarde.
Nem sopro a flama antiga nem beber-te
Aplacaria sede que não arde

A minha boca seca de querer-te,
De desejar-te tanto e sem alarde,
Fome que não sofria padecer-te
Assim pasto de tantos, e eu covarde

A esperar que limpasses toda a gala
Que por teu corpo e alma ainda resvala,

E chegasses, intata, renascida,
Para travar comigo a luta extrema
Que fizesse de toda a nossa vida
Um chamejante, universal poema.

30.7.11

NÃO QUERO SER O ÚLTIMO A COMER-TE

(Carlos Drummond de Andrade)

Não quero ser último a comer-te
Se em tempo não ousei agora é tarde
Nem sopro a flama antiga nem beber-te
Aplacaria a sede que não arde

A minha boca seca de querer-te
De desejar-te tanto e sem alarde
Fome que não sofria padecer-te
Assim pasto de tantos e eu covarde

A esperar que limpasses toda a gala
Que em teu corpo e alma ainda resvala

E chegasses intata renascida
Para travar comigo a luta extrema
Que fizesse de toda nossa vida
Um chamejante universal poema.

27.4.11

Poemeto ilusório

"Estou morando na Pasárgada
Mas o rei esqueceu de mim
Não ando com as mulheres
Estou só no seu jardim"

9.4.11

MODESTA SAGA

Poesia em literatura de cordel em homenagem ao centenário de vida do voinho. Ps.: Os pontos nos finais de cada linha é para facilitar a interpretação e leitura maquínica do leitor de textos usado neste blog. Experimente! Say it!

I

Meu avô é cabra bom.
E eu agora vou falar.
Das coisas que soube dele.
De parte do seu penar.
Labutou até outro dia.
E viveu sem mordomia.
Para manutenção do lar.


II

Antonio Modesto da Rocha.
Nascido em fevereiro.
De mil novecentos e onze.
Dia vigésimo primeiro.
Foi na cidade de Morrinhos.
Que criou os seus filhinhos.
Com seu amor verdadeiro.


III

Cem primaveras passaram.
Desde o dia que nasceu.
No mundo muitas mudanças.
Quase nada percebeu.
Duas Guerras Mundiais.
A TV e tudo mais.
Seu semblante nem mexeu.


IV

Foi criado em belo sítio.
Com grande fartura e beleza.
Açude, engenho de cana.
Esplendorosa natureza.
Na capoeira do algodão.
Descaroçava todo botão.
E mandava pra Fortaleza.


V

De sua casa no Chóra.
Todo mundo lá gostava.
Sendo distante do Estreito.
Muita gente visitava.
Boa é a lembrança.
Passado naquela estância.
A família toda tava.


VI

Muitos eram seus irmãos.
Dez com ele no total.
Chagas era o mais velho.
Anastácio o decimal.
Sendo também Fransquinha.
Sua irmã e tia minha.
Sem apresentação formal.


VII

Foi aluno de Eraque.
Telegrafista do Estreito.
Que conhecia sete línguas.
Homem de muito respeito.
Ensinou-lhe o bê-á-bá.
E até a telegrafar.
Mas não muito direito.


VIII

Seu Modesto quando novo.
Era moço bem faceiro.
Cortava sempre o cabelo.
Aparava todo o pêlo.
Tinha seu próprio alfaiate.
Viajava sem desgaste.
Pra comprar novo modelo.


IX

Trabalhou a vida toda.
Desde a tenra infância.
No roçado ou no brocado.
Não dominava ganância.
Foi justo comerciante.
No começo era ambulante.
Viveu de muita andança.


X

Cavalgava em seu cavalo.
Carregando mercadoria.
Eram muitas localidades.
Que modestamente abastecia.
De frutas, legumes e mel.
Farinha vinda do céu.
Lotava toda mercearia.


XI

Santana do Acaraú e Marco.
Chóra, Estreito e Sobral.
Massapê e Camocim.
Morrinhos e Carnaubal.
Usando chapéu de massa.
Vendia quase de graça.
Lucrava muito no final.


XII

Conhecido na região.
Era sempre bem recebido.
Honesto, justo e sério.
Por Modesto conhecido.
Rapadura, arroz e sal.
Vendia bem, cobrava mal.
Também por isso era querido.


XIII

Maria Euri da Rocha.
Eis a sua companheira.
Mulher forte e decidida.
Moralista e rezadeira.
Foi com ela que viveu.
Casou e envelheceu.
Até hora derradeira.


XIV

Com ela fez onze meninos.
Sendo só cinco vingados.
Três homens e duas mulheres.
Cada um mais arrumado.
Terminou por criar um neto.
Deu a ele todo afeto.
Hoje homem já formado.


XV

Devido uma seca grande.
Passou por dificuldade.
Mandou muito dos meninos.
Estudar n'outra cidade.
Com ele ficou Manel.
Pai na Terra, Deus no céu.
Ficou por própria vontade.


XVI

Depois de muito parir.
Minha avó adoeceu.
Vendeu tudo que tinha.
E para capital correu.
Salvou a esposa da morte.
Contou só com própria sorte.
Já curada bem viveu.


XVII

Alugou uma casinha.
E montou sua bodega.
Carvalho Júnior de esquina.
Pio XII quase pega.
Fronteira do Lagamar.
Terra boa de morar.
Pena a fama que carrega.


XVIII

Caminhava semanalmente.
Até o centro da cidade.
Onde comprava seus produtos.
Pra vender com honestidade.
Sem exageros, com controle.
Sem nada de vida mole.
Supria qualquer necessidade.


XIX

Com bastante economia.
Comprou sua morada.
Esquina da Ana Gonçalves.
A família já criada.
Fechou sua mercearia.
Gozou da aposentaria.
Com a consciência elevada.


XX

Têm orgulho da família.
Por todos é estimado.
Com força ama sua casinha.
Que tá pronta pr'um sobrado.
Com seriedade construiu.
E serenidade assistiu.
As mudanças no legado.


XXI

Viu seus filhos casarem.
Todos com grande sucesso.
Uns mais do os outros.
É assim todo progresso.
Hoje tá cheio de netos.
Nem conta os seus bisnetos.
É tri-avô em processo.


XXII

O, do primogênito, filho.
Criou com grande carinho.
Hoje sou homem feito.
Sigo meu próprio caminho.
Ensinou muito ao rapaz.
Tornou-o homem capaz.
Pudendo já andar sozinho.


XXIII

Passaram-se muitos anos.
Para que visse seu riso.
Desde eu quando menino.
Até o aparecer do siso.
Homem sério e sisudo.
Sóbrio, são e tudo.
Não faltou quando preciso.


XXIV

Parabéns vô querido.
Por esta data festante.
Rara é sua idade.
Parece viveu bastante.
Desejo anos a mais.
Amor, saúde e paz.
Tudo de mais importante.


XXV

Espero ter contado.
Sem abusar da paciência.
As vitórias e o zelo.
De toda sua vivência.
Que debaixo de sol e chuva.
Foi seu nome como luva.
Numa vida de prudência.


XXVI

Termino assim esta saga.
De um justo homem modesto.
Querido pelos parentes.
Admirado por todo resto.
Voto hoje e agora.
Que nunca cê vá embora.
Finda aqui o manifesto.

5.5.09

Vazios: e-Book de poesia

Saiba mais sobre as poesias de Civana é gratuito:
Recanto das Letras

18.2.09

A Telespecção

Um dia perguntei aos meus filhos:
- O que vocês estão fazendo?
E me responderam:
- Assistindo.
- !?!?!?...

CONTRA A TELEVISÃO

Televisão é opção para quem não tem um mar, vasto, verde, de espuma e onda cantante, bem à sua janela.
Televisão é para quem não tem o dom de tocar um instrumento, de escrever poemas, de cantar ou de filosofar.
Televisão é para quem não tem um ente amado para cuidar, e por ele ser cuidado, um bichinho para acarinhar ou um amigo para confabular.
Televisão é opção para quem não anda, não corre, não pula, não dança.
Televisão é para quem não gosta de ler um bom livro, ouvir música, fazer yoga, rezar uma oração.
Televisão é a opção a quem falta liberdade de escolha. A quem, solitário, procura companhia fácil.
Televisão é droga. Começamos inocentes, provando aqui, ali e, quando nos damos conta, estamos ligando a TV sem saber porque. Cada vez mais ela invade nossa intimidade, nosso pensamento. Seu ruído exasperante já não nos incomoda. Fica ligada, soberana, na sala, no quarto, a qualquer hora.
Quem é viciado em TV, vê qualquer coisa. Não vê um programa especial: vê TV. Por isso a televisão é chamada de passa-tempo. O tempo passa e não vemos, não o vivemos. Ela o vive por nós.
Televisão provoca vários males: engorda quem come à sua frente, enerva quem dorme ao seu embalo; emudece uma família inteira, causa dificuldade de leitura a quem lia antes e impede o hábito da leitura àqueles que estão se formando.

Inês Detsi

29.12.08

A História do Natal em Cordel





Saiba mais:
Academia Brasileira de Literatura de Cordel